Revolução na construção civil nasce no Vale Silício

28/11/2018

A BN Engenharia integrou grupo de 14 empresas do setor que foram conhecer inovações para a construção civil em desenvolvimento no icônico Vale do Silício. O diretor de Engenharia e Operações, engenheiro Everaldo Ramalho Junior, representou a empresa e nos enviou uma síntese das impressões suas e de parte do grupo que esteve presente às visitas e palestras.

Crédito: Divulgação

Foi gratificante ver o alto nível técnico dos empreendedores, da interatividade com o mundo e da coragem que esses, na maioria bastante jovens tem para ousar.

“O Vale é um mundo à parte, é uma infinidade de culturas juntas, formações múltiplas, praticamente todas as etnias, concentradas, criando novos conceitos de gestão, técnicas e processos. Como disse uma das participantes, esse é o “Way of Life “do local, com uma pitada de pensamento californiano de forte preservação das liberdades individuais e ambientais, e de duas tops universidades, Stanford e Berkeley”.

 

Na KATERRA

 

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O grupo começou a semana conhecendo especialistas em devices e IoT, que desenvolveu projetos em conjunto com a KATERRA. Percebemos claramente que este mercado não é para principiantes e, que quando o produto envolve um dispositivo que tem um papel importante de sensoriamento, o conhecimento de software não é suficiente. Se os profissionais desenvolvedores não conhecerem profundamente hardware, e qual serão as melhores ferramentas de integração, o projeto do produto tem grandes chances de não decolar.

 

We print buildings

 

A partir daí encontramos uma empresa que teve uma grande ascensão devido às mídias sociais, Apis-cor. Este era para nós o momento mais esperado, já que se tratava da IMPRESSÃO 3D de edificações. Os idealizadores são russos, que estão com uma ideia disruptiva de efetivamente mudar a forma de construir com tecnologia 3D print. Eles mostraram em todas as redes sociais no mundo a construção de uma casa de 38 m2 em 24h. A Apis-cor startup está em uma fase de Seed Money, e o mais interessante é descobrir que o que impulsiona os jovens é o desafio de fazer diferente. Na verdade, ninguém consegue prever se serão eles que promoverão esta mudança nos próximos anos, porém, com certeza estão neste momento fomentando o novo futuro.

 

O que vem por aí

 

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A partir daí, começamos uma literal “viagem” de conhecer empresas, algumas até já conhecidas, mas com a oportunidade de visitá-las e entender melhor “in loco” a experiência e a realidade que as startups de construção estão vivendo nesse momento no Vale. Empresas com PlanGridRhumbix e SafeSite nos apontam fortemente como a tecnologia pode colaborar com o dia-a-dia de empresas construtoras, nos seus canteiros de obras, e o que o mercado americano já está consumindo de aplicações que melhoram a sua performance e colaboração, tanto relacionado as questões de inspeções com mobilidade, inspeções de segurança e controle de produtividade.

 

Nova geração de drones

 

Saindo de São Francisco e indo para Berkeley, conhecemos a 3D Robotics, uma empresa de drones que utiliza o que existe mais avançado nessa tecnologia. Integrado ao sistema da Autodesk Recap, e com um sortimento de equipamentos adequado para cada tipo de necessidade, o usuário é capaz de fazer toda gestão do drone, ou frota de drones, no próprio aplicativo. O sistema da 3DR permite que quando realizado o escaneamento de uma edificação em construção por meio das imagens captadas pelo drone, que os múltiplos andares gerem o modelo 3D, com muita precisão de detalhes. Além disso, é possível realizar inspeções, cálculos de volumétricos, levantamentos de perímetros, entre muitas outras funções. A Inteligência Artificial também está presente no suíte de Analytics da 3DR, e gera insights a partir dos dados captados pelo drone e que são processados no sistema proprietário 3DR.

 

Disrupção no planejamento

 

A proposta da Alice Technologies, outra startup em fase inicial que visitamos, é fazer uma “disrupção” nos processos de planejamento e controle de obras, otimizando custo e prazo. A empresa utiliza inteligência artificial e propõe um aprendizado de conhecimento de gestão de obras aliado a algoritmos que geram cenários inteligentes por meio destes aprendizados, e, define a meta de melhor custo e prazo, com uma grande capacidade de combinações entre os diversos sequenciamentos de serviços, aliado, obviamente, à inserção neste contexto de múltiplas variáveis, que os profissionais de área já conhecem, e que também retroalimentam os algoritmos. É um sistema ainda muito à frente do convencional, e ainda tem um caminho de validação com mais massa crítica de volume de empresas e empreendimentos para melhorar o aprendizado da própria geração de insights, isto é, quanto mais dados conseguir popular vai ficar mais preciso e melhor.

 

Turbinada pela tecnologia

O que mais chama a atenção nesta empresa é a forma muito diferente como ela trata este assunto, onde uma disciplina tão antiga e conhecida no mundo da construção – planejamento – é executado da mesma forma e muito pautado na experiência do profissional tem uma proposta de ser realizada como uma “receita”, mas que fica “turbinada pela tecnologia, sendo possível que este tipo de utilização de tecnologia de IA leve nossos planejamentos para outro patamar nos próximos anos. De qualquer forma, visitar uma casa do século 19 em Menlo Park na Califórnia, e dar de cara com uma empresa muito além do seu tempo, que utiliza uma tecnologia que chega até ser difícil de compreender, é no mínimo uma experiência diferente.

 

Otimizando decisões com rapidez

Também estivemos na conhecida PlugandPlay Tech Center, que é uma aceleradora com um programa bem estruturado, que tem também a sua própria Venture Capital, e conhecemos a startup chamada Idevelop.city. Este sistema oferece para empresas de Real State (como são chamadas as incorporadoras por lá) uma visão fácil e otimizada para tomada de decisão a partir de todas as áreas mapeadas (Google Maps utilizado ao extremo), e já submetidas as leis de zoneamento possível para o local. Isso possibilita um estudo de massa em 3D e ajuda a fazer comparativo de cenários por meio de diferentes tipos de informações que podem variar de acordo com as diretrizes e variáreis do empreendedor. Uma ferramenta que, se for exponenciada mundo afora, pode trazer uma rapidez na tomada de decisões para o desenvolvedor do negócio imobiliário, levando ao make faster “go, no-go or go to council” decisions.

 

IA para edificações em construção

Outra startup que trouxe um dispositivo aliado à inteligência artificial é a Open Space. Visitamos estes empreendedores no Coworking Werkwise, na Montgomery St., San Francisco, onde o conceito do negócio está pautado em utilizar a IA para levar a facilidade e agilidade do Street View para as edificações em construção. Três mentes brilhantes, uma de Stanford e duas do MIT, se juntaram para criar muito mais do que a simples captura de imagens da construção para os gestores da obra.

A ideia parece simples e na verdade é daquele tipo de ferramenta que poderia ser erroneamente comparada a um colaborador do canteiro de obras que coloca uma câmera GoPro acoplada ao seu capacete e sai capturando imagens da obra (vai criar um grande bando de dados). Porém, o resultado final da solução da Open Space, apesar de simples para o usuário, não tem nada de simples no seu BackOffice. O método de captura de imagem também está pautado em acoplar uma câmera Garmin VIRB 360 no capacete do colaborar que percorrerá o canteiro de obras, e todo o movimento do usuário no andar é trackeado e registrado no mapa ou projeto do local.

 

Microviews

Após a captura de imagens, a objetivo do sistema da Open Space é de que o algoritmo de inteligência artificial, desenvolvido por eles, faça todo o trabalho restante. É possível fazer microviews das imagens capturadas, bem como comparar de forma fácil e ágil o mesmo local (dividindo a tela do computador – splitscreen). Como outros softwares, também pode-se fazer marcações nas imagens via pinpoints e acompanhar registros de ocorrências, como enviar comunicações para os responsáveis. As integrações com outros sistemas também estão disponíveis utilizando APIs. A precisão das informações é alto grau de confiabilidade com alta definição. E empresa está no mercado faz pouco mais de três meses e o objetivo em curto prazo será oferecer as vantagens da inteligência artificial por meio de insights.

 

Chatbots e câmeras

 

Finalmente, mais duas startups que vimos foi uma de chatbot, e que já temos algumas opções no mercado brasileiro, mas que a variedade tem crescido muito no mundo todo, e outra interessante a Indus.ai, que oferece um serviço de câmeras fixas para os canteiros de obras aliado a inteligência artificial. Esse tipo de serviço pode ser um bom aliado das empresas quando comparado ao sensoriamento de equipamentos e materiais, pois existe ainda muita dúvida sobre a viabilidade do custo e eficiência deste tipo de trackeamento, uma vez que a implementação física individualizada requer ainda estudos por meio de business case e provas de conceitos.